domingo, 17 de março de 2013
Nada
E agora?
E agora é o nada.
Sinto o ar frio entrar pelas minhas narinas
E o nada vem chegando,
Perturbando os meus pensamentos e
Tocando levemente minha alma.
Apesar disso, ela, minha alma, está tranqüila.
Tranqüila,
Como sempre esteve,
Apesar do nada.
Como queria estar enganado.
Mas o nada vem chegando,
Espalhando a sua justiça incontrastável,
Deformando o belo e
Tornando os homens iguais.
Mas quer saber?
O nada é só um detalhe.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
sábado, 29 de dezembro de 2012
Angústia
Se algo me atormenta?
Não. Nada.
Apenas a metafísica,
O medo da vida e da morte,
O escorrer do tempo,
A infindável angústia de um segundo,
que, às vezes, torna insuportável a existência.
Se algo me inquieta?
Não. Nada.
Apenas as pessoas,
A inconstância de nós mesmos,
Os miseráveis dormindo nas ruas,
A arrogância e o egoísmo dos homens,
que torna nossa vida cheia de farpas e contradições.
Se algo me interessa?
Não. Nada.
A não ser seus olhos negros,
Seu sorriso aberto,
A lua e o sol,
Os dias contigo, que passaram tão
rápido como um insólito pensamento.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Pôr do Sol
A igreja da cidade de São Francisco
Fica em frente ao velho Xico
E de costas pra cidade.
Seria como uma reverência divina a própria obra.
Um acerto humano para a glória do rio.
Por mais ou menos dois anos morei naquela cidade.
Gostava de ficar perto das margens em frente à igreja
E observar o esplendor daquele mar de água doce.
Em certa época do ano,
Quando conseguia sair do trabalho mais cedo,
Adorava ver o pôr do sol
E me deslumbrar com aquele magnífico tom de vermelho
Que impregnava o azul do céu,
Tomando como se fosse seu aquele pedaço da esfera celeste.
Aquela bola de fogo enorme, que sucumbia rente ao horizonte,
Deixava atordoados todos que assistiam àquele espetáculo
colossal único,
Que, no entanto, acontecia todos os dias.
Atravessei algumas vezes até a outra margem do rio.
Fui numa canoa apertada, na qual entrava água por todos os
lados
E o pescador, que conhecia bem o rio,
Tirava com um copo de alumínio
O excesso de água que entrava no barco.
Nunca senti medo daquilo.
Sentia-me, de certa forma, leve,
Passando as mãos no leito do rio,
Sentindo o frescor do vento no rosto
Enquanto a canoa ziguezagueava lutando contra a correnteza.
As noites eram quentes.
Costumávamos, eu e alguns amigos da época,
buscar as margens para refrescar o calor
e, diante do rio,
pensar nas coisas,
no dia a dia,
falar dos amores doídos no coração,
lembrar a saudade por estar longe de casa
e sentir aquela euforia entristecida
de fazer planos para quando voltássemos pra ela.
Há alguns anos esses planos se confirmaram
E fui embora daquela cidade.
Entretanto, no meu coração
Creio que o rio abriu uma ferida,
Que ficou profunda com a saudade dos amigos, dos amores
E com as lembranças de estar em frente ao Velho Xico.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Pra você que me esqueceu
Ah! O reencontro das paixões antigas,
Que despertam o coração inerte pelo passar do
tempo
E enche de entusiasmo uma existência,
Embora com devaneios passageiros que nunca se
realizarão
E com a terna lembrança de dias que jamais
aconteceram.
Oh céu estrelado!
Dai-me forças para continuar,
Apesar desta nostalgia contemplada,
Que aflige minha alma
E torna meus dias cheios de emoção
E de esperanças vãs de poder de novo olhar
seus olhos negros.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
terça-feira, 12 de junho de 2012
MANHÃ DE VERÃO
O céu azul,
as ondas calmas, meu corpo levemente flutuando no mar.
Há alguns
metros as crianças brincam na areia
E as jovens
desfilam de biquíni ao calor do sol.
O vento
balança os coqueiros
E ouço uma
alegre melodia pairar no ar.
Saio do mar.
Sinto a
areia queimando os meus pés.
Corro.
Olho para
trás e vejo o espetáculo daquele lugar.
Sento embaixo
de um coqueiro.
Olho o
infinito.
Abro a
cerveja gelada que me espera.
Tomo um
gole.
Sinto o
frescor descer pela minha garganta
E minha alma
se acalma.
Mais um
mergulho,
Mais um gole
de cerveja,
Mais um
olhar,
E lá se vai
a metafísica.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O tempo
No fundo escuro de um canto da
sala, penso na lucidez, que talvez exista em algum lugar, que não sei qual é.
Lembro os tempos da minha
adolescência e de como desperdicei incontáveis horas com coisas sem a mínima
importância.
Tempo perdido com TV, com estudo
de matérias que esqueceria no simples amanhecer do dia seguinte ao de uma prova
insólita.
Olhei as flores e os pássaros, é
verdade. Perdi o amor e chorei incontáveis minutos eternos, de um dia que não
me vem mais a lembrança.
Corri na chuva, escorreguei na
estrada do tempo e passei manteiga no pão de cada dia.
Sorri.
Sorrisos tolos de coisas
tolas, que enchem a vida de sentido.
Sim, aprendi.
Poderia ter
desperdiçado mais tempo comendo pipoca ou olhando a transformação das nuvens no
céu.
Quem sabe até me perdido no olhar
daquelas moças, ou sentado mais na praça e sentido o vento tênue do outono
balançar aquelas árvores enormes.
O tempo peleja contra nós numa
velocidade estonteante.
Quisera eu brecar o cavalo alado
deste deus sombrio e montá-lo, cavalgando em um imenso mar de venturas e
desventuras.
Sorrindo, chorando e sentindo.
Vivendo
a vida como ela merece ser vivida.
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa
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