terça-feira, 16 de julho de 2013

Destino de quem ama

Como é horrível
Esse amargor na boca
Dessa fúria louca
Quando chamo e não vens

É impossível eu ficar parado
Nesse chão prostrado
Sei que já não tens
Aquele amor tão apaixonado
Que por mim provado
Eu não me poupei

Me entreguei tão alucinado
Logo em seus braços e assim fiquei
E de repente ao despertar-me um dia
Me vi solitário e enfim chorei.


Autor: Antônio Geraldo dos Santos Júnior

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fotografia




  Há dez anos eu tive um sonho, 

  Sonhei com um lindo lugar e eu estava com o meu amor.

  Há dez anos eu tive um sonho,

  Nós rolávamos na relva entre flores e nos aconchegávamos em nossos braços embaixo de uma árvore cheia de galhos e frutos.

  Há dez anos eu tive um sonho,

  Há dez anos.

  Na queda das folhas do outono, aquele amor se foi.

  Outros vieram no desabrochar da primavera

  E partiram fugazmente no frio do inverno.

  Mas o sonho, desse eu não me esqueci.

  Ele ficou desbotado com o passar do tempo,

  Como uma fotografia velha no porta-retrato da memória.

  Ele continua a me inquietar,

  A me fazer sorrir e, às vezes, até chorar.

  Eu e meu amor na relva,

  Esquecidos do mundo,

  Livres das opiniões,

  Das religiões,

  Dos olhares de nosso modelo social decadente.

  Há dez anos eu tive um sonho.

  Ah! Um sonho!      


Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa 

domingo, 17 de março de 2013

Nada



E agora?

E agora é o nada.

Sinto o ar frio entrar pelas minhas narinas

E o nada vem chegando,

Perturbando os meus pensamentos e

Tocando levemente minha alma.

Apesar disso, ela, minha alma, está tranqüila.

Tranqüila,

Como sempre esteve,

Apesar do nada.

Como queria estar enganado.

Mas o nada vem chegando,


Espalhando a sua justiça incontrastável,

Deformando o belo e

Tornando os homens iguais.

Mas quer saber?

O nada é só um detalhe.


Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa

sábado, 29 de dezembro de 2012

Angústia



Se algo me atormenta?
Não. Nada.
Apenas a metafísica,
O medo da vida e da morte,
O escorrer do tempo,
A infindável angústia de um segundo, que, às vezes, torna insuportável a existência.

Se algo me inquieta?
Não. Nada.
Apenas as pessoas,
A inconstância de nós mesmos,
Os miseráveis dormindo nas ruas,
A arrogância e o egoísmo dos homens, que torna nossa vida cheia de farpas e contradições.   

Se algo me interessa?
Não. Nada.
A não ser seus olhos negros,
Seu sorriso aberto,
A lua e o sol,
Os dias contigo, que passaram tão rápido como um insólito pensamento.
 
Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pôr do Sol


  A igreja da cidade de São Francisco
  Fica em frente ao velho Xico
  E de costas pra cidade.
  Seria como uma reverência divina a própria obra.
  Um acerto humano para a glória do rio.
  Por mais ou menos dois anos morei naquela cidade.
  Gostava de ficar perto das margens em frente à igreja
  E observar o esplendor daquele mar de água doce.
  Em certa época do ano,
  Quando conseguia sair do trabalho mais cedo,
  Adorava ver o pôr do sol
  E me deslumbrar com aquele magnífico tom de vermelho
  Que impregnava o azul do céu,
  Tomando como se fosse seu aquele pedaço da esfera celeste.
  Aquela bola de fogo enorme, que sucumbia rente ao horizonte,
  Deixava atordoados todos que assistiam àquele espetáculo colossal único,
  Que, no entanto, acontecia todos os dias.
  Atravessei algumas vezes até a outra margem do rio.
  Fui numa canoa apertada, na qual entrava água por todos os lados
  E o pescador, que conhecia bem o rio,
  Tirava com um copo de alumínio
  O excesso de água que entrava no barco.
  Nunca senti medo daquilo.
  Sentia-me, de certa forma, leve,
  Passando as mãos no leito do rio,
  Sentindo o frescor do vento no rosto 
  Enquanto a canoa ziguezagueava lutando contra a correnteza.
  As noites eram quentes.
  Costumávamos, eu e alguns amigos da época,
  buscar as margens para refrescar o calor
  e, diante do rio,
  pensar nas coisas,
  no dia a dia,
  falar dos amores doídos no coração,
  lembrar a saudade por estar longe de casa
  e sentir aquela euforia entristecida
  de fazer planos para quando voltássemos pra ela.
  Há alguns anos esses planos se confirmaram
  E fui embora daquela cidade.
  Entretanto, no meu coração 
  Creio que o rio abriu uma ferida,
  Que ficou profunda com a saudade dos amigos, dos amores
  E com as lembranças de estar em frente ao Velho Xico.

Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pra você que me esqueceu


  Ah! O reencontro das paixões antigas,
  Que despertam o coração inerte pelo passar do tempo
  E enche de entusiasmo uma existência,
  Embora com devaneios passageiros que nunca se realizarão
  E com a terna lembrança de dias que jamais aconteceram.
  Oh céu estrelado!
  Dai-me forças para continuar,
  Apesar desta nostalgia contemplada,
  Que aflige minha alma
  E torna meus dias cheios de emoção
  E de esperanças vãs de poder de novo olhar seus olhos negros.  

 Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa

terça-feira, 12 de junho de 2012

MANHÃ DE VERÃO


    O céu azul, as ondas calmas, meu corpo levemente flutuando no mar.
    Há alguns metros as crianças brincam na areia
    E as jovens desfilam de biquíni ao calor do sol.
    O vento balança os coqueiros
    E ouço uma alegre melodia pairar no ar.
    Saio do mar.
    Sinto a areia queimando os meus pés.
    Corro.
    Olho para trás e vejo o espetáculo daquele lugar.
    Sento embaixo de um coqueiro.
    Olho o infinito.
    Abro a cerveja gelada que me espera.
    Tomo um gole.
    Sinto o frescor descer pela minha garganta
    E minha alma se acalma.  
    Mais um mergulho,
    Mais um gole de cerveja,
    Mais um olhar,
    E lá se vai a metafísica.

Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa