quinta-feira, 17 de julho de 2014

Guardanapos



Às vezes me pergunto o que fizemos de nossas vidas?

Por quê desistimos de trilhar o nosso caminho?

Afinal, tudo era paixão.

Com essa máscara grudada em meu rosto,

Eu não me reconheço no espelho.

Entranho.

Sinto-me estranho.

Alheio.

Sinto-me alheio as coisas do mundo.

No meu interior as flores desabrocham,

As árvores, como no cerrado, já se renovaram.

O chão, contudo, continua queimado do grande incêndio que você causou.

Mas me arriscaria novamente.

Deixaria que as chamas me queimassem por dentro,

Para te possuir por mais um segundo.

Quando você deixou de existir, abandonei as lutas.

Entreguei-me ao vento para que me levasse, para qualquer lugar que apagasse da memória a sua lembrança.

Estranho.

Já faz tanto tempo e ainda me sinto estranho.

Talvez, dentre bilhões de estrelas em bilhões de galáxias exista algo eterno.

E o eterno viva dentro de mim.          



Autor: Vinicius Tadeu Soares Barbosa

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Dionísio



Não quero o morno em minha vida. 

Quero a paixão, a explosão, o sentir um turbilhão em minha alma. 

Não quero a tranquilidade de uma vida vazia de sentido, que procura em divertimentos vãos o estar contente. 

Eu quero o deleite, o saltar de braços abertos no precipício dos sentidos.

Quero uma vida cheia de alegrias transbordadas e não um mero raciocínio silogístico sobre o que fazer em um momento.

Eu quero o beijo lascivo, a embriagues do amor, o delírio doce da saliva em teus lábios.

Eu quero um cálice de vinho.

Não.

Eu quero um litro de vinho.

Melhor, a vinícola inteira.

Eu quero o mar, eu quero a vida.

E quando o meu tempo se esgotar,  

Que eu sinta apenas aquela leve ternura de uma chuva fina ou de um pôr do sol silencioso.   




Autor:  Vinicius Tadeu Soares Barbosa 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Falácias



Numa manhã de uma quarta feira cinza,
Após o ritual que faço todos os dias,
Deparo-me com uma de minhas fotografias antigas.
Olho devagar para o meu rosto mais jovem e mais magro
E ponho-me a pensar em mim mesmo com certa nostalgia,
Que, há tempo, não sentia.
Mas, de súbito, emerge das profundezas de minha alma a pergunta vã que sempre me fiz.
Afinal, o que sou?
Será que sou o que tenho?
Ou as lembranças do passado me fazem ser eu?
Talvez seja o que aprendi, ou as batalhas que travei,
Ou as viagens que fiz tentando preencher sentimentos que ainda não compreendo?
Será que eu sou o que eu creio? Ou o que eu não creio?
Quem sabe, como querem os gurus orientais, seja eu apenas a consciência abstrata que se encontra submersa em meus pensamentos e recordações.
Talvez seja apenas a sorte de ter nascido aqui ou ali, no Brasil, na China ou no Oriente Médio?
Quem sabe a carga genética?
Serão meus preconceitos, minha religião, minha orientação sexual, a razão de eu ser eu?
Talvez seja o que a TV diz que eu sou?
Percebo que no fundo não vale a pena gastar um pensamento com isso.
E que na verdade eu sou o nada e sou o tudo.
E que um dia, o tudo e o nada se nivelarão em um silêncio absurdo que me aguarda. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Dias Calmos




Há alguma verdade gritando em minha mente confusa?

Ou são só devaneios turvos, causando uma estranha sensação de torpor?

Nestes dias calmos minha alma se inquieta.

E quando ela se inquieta me sinto estranho.

Quero atravessar o mundo gritando palavras sem sentido

E sentir o doce êxtase de, às vezes, estar calado,

Ouvindo a eloquência absurda dos que acreditam possuir a verdade.

Ah Eloquentes, como se desvanecerão suas ideias quando o sonetista do nada começar a escrever sua primeira estrofe.

Quando não mais houver pessoas para ouvir ou estradas para caminhar durante o pôr do sol,

Onde estará o consolo de suas vãs palavras? 


Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa

terça-feira, 16 de julho de 2013

Destino de quem ama

Como é horrível
Esse amargor na boca
Dessa fúria louca
Quando chamo e não vens

É impossível eu ficar parado
Nesse chão prostrado
Sei que já não tens
Aquele amor tão apaixonado
Que por mim provado
Eu não me poupei

Me entreguei tão alucinado
Logo em seus braços e assim fiquei
E de repente ao despertar-me um dia
Me vi solitário e enfim chorei.


Autor: Antônio Geraldo dos Santos Júnior

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fotografia




  Há dez anos eu tive um sonho, 

  Sonhei com um lindo lugar e eu estava com o meu amor.

  Há dez anos eu tive um sonho,

  Nós rolávamos na relva entre flores e nos aconchegávamos em nossos braços embaixo de uma árvore cheia de galhos e frutos.

  Há dez anos eu tive um sonho,

  Há dez anos.

  Na queda das folhas do outono, aquele amor se foi.

  Outros vieram no desabrochar da primavera

  E partiram fugazmente no frio do inverno.

  Mas o sonho, desse eu não me esqueci.

  Ele ficou desbotado com o passar do tempo,

  Como uma fotografia velha no porta-retrato da memória.

  Ele continua a me inquietar,

  A me fazer sorrir e, às vezes, até chorar.

  Eu e meu amor na relva,

  Esquecidos do mundo,

  Livres das opiniões,

  Das religiões,

  Dos olhares de nosso modelo social decadente.

  Há dez anos eu tive um sonho.

  Ah! Um sonho!      


Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa 

domingo, 17 de março de 2013

Nada



E agora?

E agora é o nada.

Sinto o ar frio entrar pelas minhas narinas

E o nada vem chegando,

Perturbando os meus pensamentos e

Tocando levemente minha alma.

Apesar disso, ela, minha alma, está tranqüila.

Tranqüila,

Como sempre esteve,

Apesar do nada.

Como queria estar enganado.

Mas o nada vem chegando,


Espalhando a sua justiça incontrastável,

Deformando o belo e

Tornando os homens iguais.

Mas quer saber?

O nada é só um detalhe.


Autor: Vinícius Tadeu Soares Barbosa